A carta nunca enviada


Ontem lembrei de nós dois. Visitei todas as tuas redes sociais. Nostalgia repentina, mas foi coisa de momento. Parece que não me arde mais. Foi estático, fui de frente como em todas as últimas vezes. Lembro que passava horas e horas, maculando-me, lendo tuas conversas com aqueles teus pseudoamores, e me entristecia quase que completamente por dias. Tu eras uma espécie de “amor-insuperável”. Mas vi que isso mudou. Não me importa mais se tu tem lá outros mil amores. Tu podes ser feliz pra quaisquer bandas que quiseres. Aprendi aos poucos que saudade é algo pra ser bom. Mas saudade de gente filha da puta, daquelas que te fazem perder noites de sono por alguém que não corresponde saudade tal, não faz bem. Não me fazia bem. Eu não estava bem. Olhei a pasta das nossas fotos. Quão idiotas nós éramos não é mesmo? Quantos mimos. Quantas promessas. Quantos textos e cartas trocadas. A troco de quê? De nada. Hoje tu nem sequer sabes o paradeiro de tais escritos. Eu ainda tenho comigo guardados alguns. Alguns que tu nem mesmo leu. Alguns que fiz antes mesmo de nos conhecermos. Mas não importa mais. São apenas rabiscos que depois de um tempo vão servir de inspiração pra outros, ou motivo de sorrisos. Quem sabe? Vi também tuas fotos com teu “novo amor”. A sinceridade baterá agora nas linhas, e serei breve ao dizer que: “Porra, não tinha alguém melhor pra escolher?”. Mas vejo que que o ama tanto quanto disse me amar um dia. Pois vejo alguns detalhes que não tinhas comigo, mas tens com esse. Não reclamo. Parece que estou feliz por ti. Tu conseguiu seguir em frente, e achou mais uma chance de ser feliz. Espero que dessa vez dure mais que o “Nós”. Um “nós” que talvez nem existiu, não é mesmo? Onde quero chegar com isso tudo? Somente a ti. Se pudesse sussurrar algumas palavras em teu ouvido, estas seriam: “Estou com saudades, mas tu estás bem sem mim, e espero que aproveite”. Pois nós dois sabemos que eu sempre lutei. Tu recuavas. Se não fosse um pouquinho da insistência que sempre tive, a junção entre o que um dia fomos, teria acabado bem mais cedo. Mas hoje eu consigo sorrir. Ao menos isso. Antes tinha um peito tão vazio. Inúfrilo de um amor não mais cabido em mim. Meus lábios inversos, só sentiam o sal de minhas lágrimas. E minha cabeça, já pesava pois tudo dava errado. Não que a vida conspirasse contra mim. É que quando a gente ta passando passando por essas malévias, tudo tende a ficar mais difícil. Não conseguia nem sequer sair pra ir bem ali na padaria. Mas veja só que tolice. Ninguém merece isso. E percebi isso aos poucos. Pena de mim, que passei tanto tempo preso aos escárnios mentais de mim mesmo. Lá se foram sete 3anos… Quem diria. E só hoje levantei-me e decidi ser um pouco mais feliz. Digo um pouco pois sei que ainda falta muito pra tal felicidade ser completa. Mas aqui vou eu. Espero um dia te ver na padaria, comprando aquele pão-de-batata. Tu vais olhar pra mim, como quem leva um susto ou uma notícia tão boa e repentina. Eu olharei pra ti, como quem não guarda nenhum remorso. Darei um sorriso. Quem sabe um “olá” ou dois. Farei isso como quem diz “Obrigado”. Obrigado por ter aparecido em minha vida. Tu fodeu muito coisa? Sim. Mas obrigado por cada pedacinho que arrancou de mim. Se não fosse assim, não teria encontrado forças para reconstruir-me. Obrigado por ter feito com que eu derramasse cada mililitro de lágrima. Pois se não fosse assim, não saberia o prazer do que é sorrir e ser feliz de verdade. Só te agradeço. Não sei se tu estás mais feliz, ou mais triste que eu. Mas por favor, se cuida. Ainda te amo. Mas um amor carinhoso. Quero teu bem, e tu sempre soube disso. Ontem também li aquela tua carta e ouvi o trecho da “nossa” música. Foi triste, sei lá. Não sei. Foi estranho, posso dizer. Pensei que iria desabar. Mas foi diferente, como já havia dito. Parece que precisei, tomar mais umas doses de ti, pra sair de estado abstintivo de mim. Pois só agora consegui entender que foi bom sim. Foi ruim também. Mas daqui pra frente, pode ser melhor. E não precisarei emoldurar-me dessas dores. Precisarei apenas de um esboço de sorriso, bons amigos, uma bebida forte e uma boa cama pra repousar meus pensamentos cujos quais te terás ainda. Mas de forma leve e breve. Não mais dolorida e pesada. Eu te amo, sim, mas ta difícil pra mim. E não pretendo carregar mais fardos. Este será o último. Talvez eu encontre pessoas melhores e mais filhas da puta que você. Mas amanhã quero ser a única, melhor e pior pessoa que conheço. Eu te amo, mais uma vez. Mas é que eu me amo mais, outra vez. Consegui.
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